DISSERTAÇÃO

Título: “Do corpo, a plenitude. Do corpo à plenitude: o significado da experiência corporal em praticantes de Yoga”

Autor: Tales Nunes

Esta dissertação foi escrita como trabalho de conclusão de mestrado em Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina. A leitura é interessante para todos os interessados em Yoga, para  jovens pesquisadores do Yoga, psicólogos, antropólogos, cientistas sociais, historiadores.

Clique aqui e leia a dissertação

 

O estalido das folhas

Dançantes ao vento passo

Recorda-me a passos largos

Que um dia serei vento.


Queremos tanto ser diferentes uns dos outros

Que findamos sendo tão iguais em nosso desejo de distinção.

Quando esqueço de mim

Recordo-me quem sou.

É curioso como desejamos

Ser tudo o que já somos.

Vivo no presente, eternizo-me.

A busca

O que busca ardentemente fora, está dentro;

A luz que tanto procura, encontra-se no escuro dos olhos fechados;

O que deseja ouvir, ressoa no silêncio;

A tristeza está na alegria, assim como a alegria na tristeza.

A plenitude está além delas.

Pleno Coração

Ilumina o mundo,

Mas pensa ser escuridão.

Vago coração!

Dentro do peito anseia

carente de aceitação.

Vago coração!

Não consegue silenciar,

Sempre em busca de satisfação.

Vago coração!

Aspira o mundo, segue vazio

E exala insatisfação

Vago coração!

Isola-se para se sentir bem, e sente-se só.

Busca companhia, mas permanece a solidão

Vago coração!

Da vida reclama, e se engana.

Distante de si, esquece da gratidão.

Vago coração!

Relaxe amigo, e como um lago, reflita,

Correr é vão.

Recorde-se agora,

Você é tudo, é céu, mar, ar, é o seu próprio chão!

Desfaça esse véu e descubra-se feliz

Vago é ilusão,

Você é …

Pleno coração!

Tales Nunes

Florianópolis, 30 de junho de 2009.

Caminhando juntos

Exponhamo-nos aos olhos do tempo.

Na eternidade do presente,

através dos nossos olhares,

conheçamo-nos e reconheçamo-nos.

Tracemos o nosso caminho,

sem comparações,

livres de julgamentos.

Onde chegaremos, não importa,

a atenção deve estar no caminho.

Afinal, tudo é caminho,

até a morte, que parece um fim,

é um meio de valorizarmos a vida.

Não tenhamos medo das rugas,

muito menos das rusgas,

ambas nos ensinam sobre a vida.

Então, aprendamos, sempre, com cada acontecimento,

com os nossos constantes erros e acertos,

sorrisos e lágrimas.

Quando preciso, falemos alto, gritemos,

mas que sejam palavras verdadeiras

e que não machuquem,

antes tapas de flores

a carinhos de espinhos.

Estejamos sempre com uma mão ocupada

trabalhando na realização dos nossos sonhos mais profundos

e a outra estendida para ajudarmos um ao outro.

E, seja sob a luz da lua cheia

ou com gotas de chuva a escorrer pela face,

caminhemos juntos, sempre com o brilho das estrelas no olhar.



O Ser

Primeiro veio a consciência

Que brilhou

E o Ser acendeu

Depois veio o som (om)

Que vibrou

E o Ser estremeceu

Depois veio o prana

Que soprou

E o Ser se estendeu

Depois veio a inteligência

Que analisou

E o Ser conheceu

Depois veio o ego

Que separou

E o Ser disse “eu” (se perdeu)

Olhar-se

Olhando-nos,

vemos os outros;

Conhecendo-nos,

aprendemos dos outros;

Abraçando-nos,

aceitamos os outros,

E nos amando,

amamos os outros.

Pois nossa essência é a mesma.

Tristeza e alegria

Tristeza, alegria,

águas da mesma fonte.

Uma amarga e escura, evitada.

Outra doce e cristalina, sempre bem vinda.

construímos barragens e canais

Para que a tristeza não nos banhe.

Desviamos seu curso, em vão.

Cedo ou tarde sentimos a sua força

mais áspera e arredia do que antes.

Por outro lado, sedentos

abrimos dutos e rezamos

para que caiam sobre nós rios de alegria.

Recebemos cachoeiras como resposta.

Ansiosos, bebemos o tanto que podemos.

Às vezes sequer agradecemos.

E, cegos para a sua impermanência,

choramos ao vê-la por entre os dedos escorrendo.

De imediato tornamos a desejar

mais uma fonte que venha nos alegrar.

Cansados de viver este ciclo

aflitos, à mercê do tempo

alguns negam estar sedentos.

Mergulham num tremendo isolamento,

sem água, sem um pingo de alegria.

E sofrem por não conseguirem perceber

que a alegria e a tristeza brotam juntas

e deságuam em nossos corações, inevitavelmente.

Cabe a nós apenas contemplar

seu eterno devir,

como um rio que nunca pára.

E seja ele escuro ou cristalino,

Cada um possui a sua beleza.

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