Livro Tales
Sinopse:
“O que era um singelo diário de práticas tornou-se um livro de reflexões sobre o Yoga e sobre a vida.
O livro é dividido em duas partes. A primeira traz frases e reflexões sobre o ser humano, sobre o conhecimento e sobre o tempo. A segunda parte contém artigos que refletem sobre o Yoga e sobre temas cotidianos, como a relação professor e aluno, a felicidade, a família, a prática de Yoga, a meditação.
Seu autor, Tales Nunes, é mestre em Antropologia, editor dos Cadernos de Yoga, praticante e professor de Yoga em Florianópolis.
A leitura do livro nos remete à compreensão da importância do Yoga como caminho para uma vida mais plena, equilibrada e feliz.”
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O estalido das folhas
Dançantes ao vento passo
Recorda-me a passos largos
Que um dia serei vento.
∞
Queremos tanto ser diferentes uns dos outros
Que findamos sendo tão iguais em nosso desejo de distinção.
∞
Quando esqueço de mim
Recordo-me quem sou.
∞
É curioso como desejamos
Ser tudo o que já somos.
∞
Vivo no presente, eternizo-me.
A busca
O que busca ardentemente fora, está dentro;
A luz que tanto procura, encontra-se no escuro dos olhos fechados;
O que deseja ouvir, ressoa no silêncio;
A tristeza está na alegria, assim como a alegria na tristeza.
A plenitude está além delas.
Pleno Coração
Ilumina o mundo,
Mas pensa ser escuridão.
Vago coração!
Dentro do peito anseia
carente de aceitação.
Vago coração!
Não consegue silenciar,
Sempre em busca de satisfação.
Vago coração!
Aspira o mundo, segue vazio
E exala insatisfação
Vago coração!
Isola-se para se sentir bem, e sente-se só.
Busca companhia, mas permanece a solidão
Vago coração!
Da vida reclama, e se engana.
Distante de si, esquece da gratidão.
Vago coração!
Relaxe amigo, e como um lago, reflita,
Correr é vão.
Recorde-se agora,
Você é tudo, é céu, mar, ar, é o seu próprio chão!
Desfaça esse véu e descubra-se feliz
Vago é ilusão,
Você é …
Pleno coração!
Tales Nunes
Florianópolis, 30 de junho de 2009.
Caminhando juntos
Exponhamo-nos aos olhos do tempo.
Na eternidade do presente,
através dos nossos olhares,
conheçamo-nos e reconheçamo-nos.
Tracemos o nosso caminho,
sem comparações,
livres de julgamentos.
Onde chegaremos, não importa,
a atenção deve estar no caminho.
Afinal, tudo é caminho,
até a morte, que parece um fim,
é um meio de valorizarmos a vida.
Não tenhamos medo das rugas,
muito menos das rusgas,
ambas nos ensinam sobre a vida.
Então, aprendamos, sempre, com cada acontecimento,
com os nossos constantes erros e acertos,
sorrisos e lágrimas.
Quando preciso, falemos alto, gritemos,
mas que sejam palavras verdadeiras
e que não machuquem,
antes tapas de flores
a carinhos de espinhos.
Estejamos sempre com uma mão ocupada
trabalhando na realização dos nossos sonhos mais profundos
e a outra estendida para ajudarmos um ao outro.
E, seja sob a luz da lua cheia
ou com gotas de chuva a escorrer pela face,
caminhemos juntos, sempre com o brilho das estrelas no olhar.
O Ser
Primeiro veio a consciência
Que brilhou
E o Ser acendeu
Depois veio o som (om)
Que vibrou
E o Ser estremeceu
Depois veio o prana
Que soprou
E o Ser se estendeu
Depois veio a inteligência
Que analisou
E o Ser conheceu
Depois veio o ego
Que separou
E o Ser disse “eu” (se perdeu)
Olhar-se
Olhando-nos,
vemos os outros;
Conhecendo-nos,
aprendemos dos outros;
Abraçando-nos,
aceitamos os outros,
E nos amando,
amamos os outros.
Pois nossa essência é a mesma.
Tristeza e alegria
Tristeza, alegria,
águas da mesma fonte.
Uma amarga e escura, evitada.
Outra doce e cristalina, sempre bem vinda.
construímos barragens e canais
Para que a tristeza não nos banhe.
Desviamos seu curso, em vão.
Cedo ou tarde sentimos a sua força
mais áspera e arredia do que antes.
Por outro lado, sedentos
abrimos dutos e rezamos
para que caiam sobre nós rios de alegria.
Recebemos cachoeiras como resposta.
Ansiosos, bebemos o tanto que podemos.
Às vezes sequer agradecemos.
E, cegos para a sua impermanência,
choramos ao vê-la por entre os dedos escorrendo.
De imediato tornamos a desejar
mais uma fonte que venha nos alegrar.
Cansados de viver este ciclo
aflitos, à mercê do tempo
alguns negam estar sedentos.
Mergulham num tremendo isolamento,
sem água, sem um pingo de alegria.
E sofrem por não conseguirem perceber
que a alegria e a tristeza brotam juntas
e deságuam em nossos corações, inevitavelmente.
Cabe a nós apenas contemplar
seu eterno devir,
como um rio que nunca pára.
E seja ele escuro ou cristalino,
Cada um possui a sua beleza.
