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Yoga e meio ambiente (entrevista com Tales Nunes para site Ambiente Brasil)

sexta-feira, agosto 14th, 2009

Quatro Perguntas sobre Yoga e Meio Ambiente

com Tales Nunes

Praticante de Yoga desde 1997 e professor desde 99, Tales Nunes mudou-se de Aracaju (SE) para Florianópolis com dois objetivos claros: fazer um curso de formação em Yoga com o uruguaio Pedro Kupfer, radicado no Brasil e referência no setor, e Mestrado em Antropologia na UFSC.

No Mestrado, o tema foi o significado da experiência corporal em praticantes de Yoga.

Atualmente, ele ministra aulas na capital catarinense e edita, junto com a esposa, Christine Gabler, os Cadernos de Yoga, publicação trimestral em que, na forma de artigos e debates, vem fazendo uma correlação direta entre a prática yogi e a preservação ambiental.

AmbienteBrasil fez a Tales Nunes quatro perguntas. Confira.

AmbienteBrasil – No artigo Yoga e Ecologia, de autoria do yogi norte-americano David Frawley, ele diz que “nós não podemos verdadeiramente pensar ou viver como yogi sem ser de uma forma ecológica”. De que maneira o conceito do Yoga pode ser benéfico à preservação dos recursos naturais?

Tales Nunes - Yoga é um estilo de vida. E como um estilo de vida, propõe uma conduta ética que é balizada por valores chamados de yamas. Entre estes, está a não-violência e o desapego. Existem outros valores yogis, mas a incorporação de apenas esses dois no nosso dia-a-dia é em si um ato revolucionário, um ato de transformação coletiva.

Compreender o que é desapego e incorporar esse valor nos mostra que podemos levar uma vida muito mais simples do que levamos. Ajuda-nos a ver os bens materiais de maneira mais objetiva, colocando o valor de uso acima do fetiche. E isso faz com que tenhamos a lucidez para consumirmos menos, o que significa poupar a natureza e poluir menos. Por sua vez, viver a não-violência é fundamental para que preservemos e tentemos evitar causar dano a qualquer tipo de manifestação de vida.

E como ferramenta de transformação, o Yoga nos oferece, também, uma ampla gama de práticas corporais. A partir da consciência do nosso corpo, da nossa respiração, do espaço que ocupamos no mundo, o Yoga ajuda a nos conectar com os ritmos e as forças da natureza. Além disso, o Yoga nos coloca numa postura reflexiva, por meio da meditação, sobre qual é o nosso papel individual e social na vida. São muitos os relatos de praticantes de Yoga que mudaram completamente o seu estilo de vida, simplificando-o.

AmbienteBrasil – De que maneiras?

Tales - São muitos os relatos dos que pararam de comer carne, que largaram seus trabalhos, pois estes não faziam mais sentido em suas vidas (muitas vezes por serem trabalhos eticamente questionáveis) ou que saíram da cidade e foram morar junto à natureza. Outras são histórias de yogis que permaneceram nas cidades, mas engajaram-se em trabalhos sociais ou ambientais.

Em Curitiba, temos um grupo de yogis engajados na campanha a favor do uso da bicicleta e do movimento “Jardinagem Libertária”, em prol de uma ocupação mais humana dos espaços públicos urbanos. Estas são pessoas que fazem a diferença e não esperam pelo poder público para realizar as mudanças que o nosso planeta pede hoje. A transformação que precisamos realizar é muito mais urgente do que a aparelhagem estatal consegue efetivar. E é justamente nesse ponto que entra o Yoga, tocando as pessoas e mobilizando-as a mudar, a fazer diferente, a fazer mais consciente.

AmbienteBrasil – O livro Green Yoga (Yoga Verde), de Georg e Brenda Feuerstein, traz dicas de ações amigáveis ao meio ambiente, entre as quais economia de água e energia. Essas dicas, em geral, são disseminadas em qualquer palestra ambientalista. Qual seriam as peculiaridades de tais práticas dentro de um universo yogi?

Tales - Hoje a causa ambiental está em cena. Empresas que poluem, exploram e degradam o meio ambiente apresentam uma imagem de responsabilidade social e ambiental. Outras tantas usam esse filão para vender mais dos seus produtos. O que é um paradoxo, pois quanto mais consumimos, mais degradamos. Ou seja, está na moda ser “ecológico” e nós sabemos exatamente o que fazer, coletivamente e individualmente, para minimizar os danos que estamos causando no nosso planeta.

Porém, parece haver um fosso enorme entre a teoria e a prática. Esquecemos que as grandes transformações são feitas a partir de pequenos atos cotidianos. E assim seguimos querendo mudar o mundo, com o discurso mudado, totalmente consciente, porém sem querer abrir mão de muitos dos nossos confortos.

Vejo o Yoga, nesse sentido, como um educador, um disciplinador. Um disciplinador do nosso corpo, ensinando-nos a nos alimentarmos melhor e a consumirmos alimentos de boa procedência (que agridam o mínimo o meio ambiente e que sejam saudáveis ao nosso corpo). Um disciplinador da nossa mente, refreando os nossos desejos, ensinando-nos que consumir não nos faz mais felizes, como nos insistem em inculcar as propagandas. Acredito, portanto, que o Yoga pode promover a ponte entre a teoria e a prática, justamente pela disciplina física, mental e emocional que promove.

AmbienteBrasil – Uma das dicas do livro estimula a adoção de uma dieta vegetariana – ou ainda sua versão mais radical, a vegan. Isso não seria um tanto questionável para quem mora nas grandes cidades e tem à disposição, quase sempre, apenas hortaliças cheias de agrotóxicos?

Tales - Uma das razões do nosso planeta estar na situação de degradação atual é o nosso antropocentrismo. A nossa idéia equivocada de que podemos controlar a natureza. Achamos ser uma espécie superior às demais e vemos a natureza como “recurso”, que está aí para nos servir e ser usado por nós para suprir os nossos desejos que, vale ressaltar, não são necessidades, são luxos. E por causa disso, os espaços naturais foram reduzidos. E antes o que nos englobava, florestas, vegetação natural, foi por nós englobado, cercado, demarcado, restringido.

A nossa ciência entende e manipula aspectos isolados da natureza. O todo, a compreensão global, o encadeamento de causas e conseqüências mais distantes e a longo prazo, nos é, na maior parte dos casos, desconhecida, ou no máximo especulada. Compreendendo isso, disse Goethe: “A natureza reservou para si tanta liberdade que não estamos em condições de competir com ela em toda a sua extensão ou de acossá-la com o nosso saber e nossa ciência”.

A filosofia yogi traz consigo essa consciência. Que é a consciência de unidade entre todas as manifestações de vida, entre nós e a natureza. E, a partir disso, não comer carne não nasce de uma atitude de ativismo ambiental – apesar de hoje haver argumentos de preservação ambiental suficientes para pararmos de comer carne -, mas de uma atitude de reverência a todas as manifestações de vida, de respeito à natureza.

E mesmo sendo vegetarianos, estamos às avessas com o que escolhemos para nos alimentar. Quando moramos em cidades e não produzimos o nosso próprio alimento, perdemos o controle sobre a cadeia alimentar. Os alimentos chegam a nossas mãos praticamente prontos. Assim, perdemos também a consciência sobre todo o processo de produção do alimento. É isso que faz com que a criancinha que vive na cidade se sinta maravilhada ao descobrir que o ovo vem da galinha. Ou que faz com que ela ignore que a carne que ela come vem do mesmo bichinho que ela vê nos desenhos animados da televisão.
Esses são exemplos grotescos. Mas o fato é que hoje é difícil monitorar como é produzido o que comemos. Especialmente no nosso país, onde não podemos confiar nos órgãos públicos reguladores que deveriam garantir a qualidade do que é produzido. Cabe a nós buscar, vegetarianos ou não, pesquisar e procurar consumir alimentos frescos, de preferência não industrializados e de pequenos produtores locais, para podermos saber a origem do que nós consumimos. Acredito que se fizermos isso, já estamos fazendo muito. Consumir consciente é uma das forças de reivindicação que nós temos.

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Os Cadernos de Yoga (entrevista com Tales Nunes)

quinta-feira, agosto 13th, 2009

Os Cadernos de Yoga (entrevista com Tales Nunes)

Entrevista de Tales Nunes cedida ao Yoga Forum (www.yogaforum.org)

Nesta entrevista, o atual editor dos Cadernos de Yoga fala ao Yogaforum sobre esse periódico que em pouco tempo se tornou referência para instrutores e praticantes. Ele fala sobre a breve história do periódico, os planos para o futuro e traça um perfil da primeira publicação brasileira séria sobre o tema “yoga”.

Yogaforum: Quem criou o projeto “Cadernos de Yoga”, e em que circunstâncias?

Nunes: Os Cadernos de Yoga começaram como um projeto coletivo de Karma Yoga. Nasceu ligado ao Instituto Dharma – Yogashala que, na época, era uma ONG sem fins lucrativos. Transcrevo trecho da proposta do Instituto, como consta na primeira edição dos Cadernos de Yoga:

“O Instituto tem por objetivo promover o desenvolvimento de atividades sociais visando a divulgação da filosofia do Yoga e do Karma Yoga (Yoga da ação social) como instrumento de transformação do indivíduo e da sociedade. Entende-se por Karma Yoga a ação praticada para elevação da consciência que se desenvolve através da realização de projetos sociais sustentáveis, trabalho, produção, estudos, pesquisas, aulas extensivas, seminários e cursos intensivos, preparação e divulgação de estudos e relatórios, edições e publicações”.

Os Cadernos são, portanto, fruto dessa visão. E nasceu a partir da iniciativa e participação de Markus J. Weininger, Pedro Kupfer, Noêmia Guimarães Soares, Camila Reitz, Madu Madureira, Rodrigo Gomes Ferreira. Na época faltavam publicações especializadas em Yoga. A idéia foi criar uma publicação pioneira em seu formato, que trouxesse artigos mais profundos que uma revista, num formato menor do que um livro.

Yogaforum: Os Cadernos de Yoga estão vinculados a alguma instituição ou movimento?

Nunes: Os Cadernos de Yoga são uma publicação independente. Se estamos ligados a algum movimento, este é o da liberdade do Yoga e no Yoga.

Yogaforum: Como você descreveria a política editorial dos Cadernos de Yoga? Em algum lugar vocês falam em “Satsang impresso”… o que seria isso?

Nunes: Os Cadernos de Yoga, desde o seu nascimento, são um espaço aberto para divulgação do conhecimento yogi. Digo aberto porque qualquer pessoa tem a oportunidade de publicar nos Cadernos, desde que não sejam artigos dogmáticos ou preconceituosos. Recebemos textos de praticantes e professores de todo o país, fazemos uma seleção, se necessário consultamos o conselho editorial, e publicamos. Em troca, esses colaboradores recebem edições dos Cadernos. Nenhum dos nossos colaboradores recebe dinheiro por ter escrito. Os participantes sabem da importância de divulgar o conhecimento e compartilhar o aprendizado. Acredito que a expressão “satsang impresso” remete a essa idéia de participação e esclarecimento coletivos.

É importante frisar que recentemente os Cadernos passaram por uma mudança em sua administração e no corpo editorial. A partir da edição 19, como parte dessa mudança, temos uma nova linha de ação. Estamos nos reaproximando mais dos conselho editorial, pois algumas pessoas dali haviam se afastado, e convidamos novos membros ao conselho. Criamos algumas seções fixas a partir de assuntos que escolhemos e convidamos a escrever estudiosos especialistas nessas áreas. Entre esses assuntos estão os seguintes: mantras, ásanas, ativismo yogi, culinária indiana, simbolismo védico.

Antes, tínhamos duas ou três seções fixas e trabalhávamos com artigos traduzidos do Frawley, Feuerstein e Kak, gentilmente cedidos pelos autores, e com artigos enviados de praticantes, professores, alunos. Fazíamos uma seleção e, pronto, nascia mais uma edição dos Cadernos. Com a mudança, continauremos tendo a participação da comunidade yogi, mas teremos mais seções fixas. Manteremos, porém, o espaço aberto a vozes de praticantes e de quem está disposto a nos escrever.

Yogaforum: Como a revista conseguiu a adesão de Frawley, Kak e Feuerstein ao seu Conselho Editorial?

Nunes: O Pedro conheceu esses três autores há mais de 10 anos, em 1996, quando comecou a pesquisar sobre a história do Yoga e da Índia Antiga. Ele manteve contato ao longo de todo este tempo com os tres estudiosos. Naturalmente, eles foram convidados para integrar o Conselho Editorial quando a idéia saiu do papel. Todos eles aceitaram colaborar com prazer, respondendo nossas dúvidas sobre algumas traduções e selecionando textos para publicação.

Yogaforum: Tendo se iniciado no verão de 2004, podemos dizer que se trata de uma publicação ainda bastante “jovem” no mercado. É possível dizer que ela já alcançou sua sustentabilidade econômica, ou ainda está buscando o ponto de equilíbrio?

Nunes: Os Cadernos são sim uma publicação jovem, porém com maturidade, pelo reconhecimento que adquiriu no meio yogi. Não posso dizer que os Cadernos, enquanto empresa, seja um negócio lucrativo. Mas certamente é auto-sustentável.

As edições dos Cadernos são artesanais, feitas a poucas mãos. A tiragem ainda é pequena, em média 1.200 exemplares. A característica principal dos Cadernos hoje é o comprometimento com a qualidade e credibilidade do conteúdo, menos do que a forma ou a quantidade. Sabemos que na sociedade em que vivemos a forma conta muito. Tanto a forma da publicação (imagem, cor, apelos visuais) quanto a “boa forma” no conteúdo (trazer assuntos à boa forma e bem-estar, em detrimento da meditação, do estudo de si próprio, do sânscrito, dos mantras ou da cultura védica). Essa aboradgem superficial está fora das premissas dos Cadernos. A publicação é uma fonte de aprofundamento para o estudo e a prática. Essa característica acaba fazendo uma seleção dos nossos leitores e anunciantes.

Recebemos reclamações de que os Cadernos são uma publicação “acadêmica” demais. Então hoje o nosso desafio é conciliar a leveza da forma, com a profundidade do conteúdo, para que os Cadernos cheguem a mais mãos. Com isso, os anúncios cheguem a mais olhos. E assim tenhamos um maior equilíbrio financeiro. E todos ficam felizes, anunciantes (que divulgam seus produtos), leitores (que tem uma importante fonte de informação), e nós (que poderemos viver apenas disso).

Yogaforum: O mercado editorial brasileiro oferece poucas publicações na área do Yoga, embora haja um número crescente de praticantes e instrutores. A que você atribui essa pobreza de oferta? Seria falta de ousadia das grandes editoras?

Nunes: Não acredito que haja uma pobreza nesse campo. O crescimento de publicações se deu proporcional ao crescimento do número de praticantes. Em 2004, tínhamos apenas os Cadernos de Yoga como periódico nacional e poucos livros em português sobre Yoga, pois o Yoga começava entrar em evidência e a se popularizar. Hoje temos a Prana Yoga Journal, com uma grande tiragem e visibilidade, e algumas outras menores, umas ligadas a editoras outras a correntes de Yoga. Além do mais, houve um aumento significativo na quantidade e na qualidade de livros sobre Yoga publicados no país. São mais e mais traduções e novas publicações surgindo no mercado. As editoras estão investindo, pois sabem que este é um nicho que cresce e que é formado por uma classe média alta, potenciais consumidores. Para lhe dar uma idéia, recentemente quisemos publicar os dois novos livros de Georg Feuerstein. Poucas semanas após o lançamento desses títulos nos Estados Unidos, uma editora brasileira já havia comprado os direitos de tradução de ambos. Eu não chamaria isso falta de interesse.

Yogaforum: Vamos falar em números. Qual é a tiragem atual dos Cadernos de Yoga? Quantas páginas e quantos artigos, em média, por edição?

Nunes: Temos uma média de 12 artigos por edição, distribuídos numa média de 90 páginas. A nossa tiragem até o momento variou entre 800 e 2000 exemplares. A próxima edição terá uma tiragem de 1.200 exemplares. Os Cadernos hoje, para ir para a gráfica, precisam do apoio dos anunciantes. E o nosso trabalho, como disse, é chegar a mais mãos e olhos em todo o Brasil. O nosso país é grande e temos muitos praticantes interessados em estudar e aprofundar o conhecimento no Yoga e temos certeza de que os Cadernos são a publicação mais indicada a essas pessoas. Estamos mais presentes no sul e no sudeste do país. Começamos a fazer parcerias de divulgação no nordeste e no centro-oeste. A nossa meta é dobrar o número de assinantes e a tiragem na edição 20. E assim termos mais investimentos de anunciantes.

Yogaforum: Vocês têm recebido feedback dos leitores? Como tem sido esse tipo de contato com seu público? Houve alguma mudança significativa que tenha sido provocada por carta de leitor?

Nunes: Temos respostas muito positivas dos leitores. Estes reconhecem que os Cadernos são uma publicação com credibilidade, independência e profundidade nos assuntos que aborda. As críticas que surgiram, em determinado momento, e que mais nos fizeram refletir e transformar foi a indicação de que estávamos nos tornando “prolixos” demais, “muito acadêmicos”. A próxima edição, a 19, vem diferente, os leitores notarão. E essa mudança foi motivada por essas críticas e pelo contato que temos com leitores em cursos e eventos dos quais participamos.

Yogaforum: O tema da regulamentação do Yoga, ou o pleito da Educação Física pelo controle sobre os profissionais do Yoga, tem sido um tema solicitado pelos leitores dos Cadernos, ou o público tem seu foco apenas nas questões técnicas do Yoga?

Nunes: Não temos solicitações nesse sentido. Percebo que poucos são os instrutores preocupados com esse assunto que, aliás, é de extrema importância para todos nós. Recomendo a leitura do primeiro artigo que está na edição 01 dos Cadernos de Yoga. Lá o professor Anderson Allegro apresenta a situação e fala da importância da Aliança do Yoga. Em parceria com a Aliança do Yoga, temos o compromisso de manter os leitores a par da situação. E desde já convidamos todos os praticantes a se filiarem a esse órgão. No momento a ameaça parece estar adormecida. Mas acreditamos e defendemos que devemos nos unir em torno da Aliança para assegurarmos o nosso direito de ensinar. Caso corramos o risco, novamente, de termos a nossa liberdade de ensino cerceada será a representação coletiva que fará a diferença.

Yogaforum: Quais os próximos passos da revista? Há projetos novos em curso?

Nunes: É importante enfatizar que passamos atualmente por um processo de transição. O Rodrigo, que era o editor e administrador anterior dos Cadernos, afastou-se do projeto. Por momentos, o projeto ficou ameaçado de extinguir-se. Minha esposa Chris e eu, com o apoio de algumas pessoas que estiveram ao nosso lado, decidimos trabalhar para que isso não acontecesse e assumimos a publicação. Seria uma perda muito grande à comunidade yogi se os Cadernos acabassem.

Desde abril assumimos toda a parte administrativa dos Cadernos e a próxima edição será a primeira sob a nossa responsabilidade. Trabalhamos desde já para ampliar a distribuição dos Cadernos e, a partir da próxima edição, a qual finalizamos hoje e enviamos para a gráfica (23 de junho de 2008), dar uma nova cara a publicação. Recebemos sugestões de leitores de tornarmos a publicação mais leve à leitura. Essa é a nossa intenção, suavizar a leitura, sem perder a profundidade dos assuntos abordados. Outra idéia que temos é a publicação de edições extras temáticas. Temos um projeto embrionário em andamento, mas preferimos guardar a idéia para não estragar a surpresa.

Yogaforum: A que você atribui o prestígio que os Cadernos de Yoga alcançaram junto aos instrutores de Yoga?

Nunes: Acredito que o caráter não dogmático, independente (ideológica e politicamente), e aberto dos Cadernos de Yoga é o que os diferenciam dentro do meio yogi.

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